Manifesto em defesa do MST
Toda solidariedade ao MST! Contra a criminalização dos movimentos sociais!
Não bastasse o Brasil amargar com 500 anos de latifúndio e escravidão, além de massacres dos povos indígenas, o latifúndio persiste. Os verdadeiros bandidos são os latifundiários – assassinos de índios e camponeses pobres, ladrões de terra, falsificadores de títulos de propriedade, destruidores do meio ambiente, exploradores de trabalho escravo e adeptos da pistolagem de beira de estrada com capangas.
E quando o MST, um movimento que luta contra isso, representa uma possibilidade real de mudança, tentam criminalizá-lo, com a ajuda da mídia.
Até hoje, 1,5 mil sem-terras foram assassinados a mando dos latifundiários. Quantos latifundiários foram mortos por sem-terras? Nenhum!
A Mídia esforça-se por fazer convencer que o MST seria um movimento criminoso. Não acreditamos em tais mentiras. Porque esta mesma mídia não divulga que o movimento tem escolas onde estudam mais de 40 mil crianças no país, onde está ocorrendo uma revolução educacional?
Por isso, toda solidariedade ao MST! A História do Brasil não foi esquecida!
Manifesto em apoio ao MST, assinem aqui
http://www.petitiononline.com/boit1995/petition.html
Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais.
As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo. Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra. Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos. Bloquear a reforma agrária Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola – cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 – e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agrário desloca-se dos responsáveis pela desigualdade e concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, disponível para a reforma agrária. Para mascarar tal fato, está em curso um grande oper ativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira. O pesado operativo midiático-empresarial visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e ambientais como única alternativa para a agropecuária brasileira. Concentração fundiária A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do agronegócio. Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no primeiro semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano. Não violência A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária. É preciso uma agricultura socialmente justa , ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira. Contra a criminalização das lutas sociais Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais, realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.
Ana Clara Ribeiro Ana Esther Ceceña Boaventura de Sousa Santos Carlos Nelson Coutinho Carlos Walter Porto-Gonçalves Claudia Santiago Claudia Korol Ciro Correia Chico Alencar Chico de Oliveira Daniel Bensaïd Demian Bezerra de Melo Fernando Vieira Velloso Eduardo Galeano Eleuterio Prado Emir Sad er Gaudêncio Frigotto Gilberto Maringoni Gilcilene Barão Heloisa Fernandes Isabel Monal István Mészáros Ivana Jinkings José Paulo Netto Lucia Maria Wanderley Neves Luis Acosta Marcelo Badaró Mattos Marcelo Freixo Maria Orlanda Pinassi Marilda Iamamoto Maurício Vieira Martins Mauro Luis Iasi Michael Lowy Otilia Fiori Arantes Paulo Arantes Paulo Nakatani Plínio de Arruda Sampaio Reinaldo A. Carcanholo Ricardo Antunes Ricardo Gilberto Lyrio Teixeira Roberto Leher Sara Granemann Sergio Romagnolo Virgínia Fontes Vito Giannotti
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