Poesias

Aos refugiados

 

Não tenha medo

O pior já passou

Sei que as coisas andam difíceis

Para os que ficaram

Tua dor também é nossa dor

 

A terra é de quem trabalha

Toma o teu lugar, faz a tua casa

Planta o teu sustento, come o teu pão

A nossa terra deve ser de todos

E também é sua

Somos todos iguais sob o firmamento

E sobre a terra

 

Aqui também temos nossos problemas

Ricos e pobres,

Estado de Direito para uns

Estado de Sítio para os outros

Quem trabalha para quem?

 

No fim, somos todos vítimas

Do dinheiro que ganhou vida própria

Das coisas que dominam os homens

Dos homens que viraram coisas

Dos senhores loucos hipnotizados por isso

Que nos governam e conduzem tudo para o buraco

 

A opressão e a exploração

Estão em toda parte

Mas neste mundo,

Nada é natural,

Tudo é histórico

Quem faz o mundo são os homens

 

E no final,

Não há tirania que seja eterna

Não há asfalto grosso que não rache

Abrindo espaço para a flor germinar

A flor vermelha de nosso sangue

A flor que é nosso punho levantado

Que é a vida e o amor universal

Que é a luta e a dignidade

Que é nosso grito de verdade

Que é a emancipação da humanidade